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Interagindo com a panela de pressão

June 23, 2010

Possuo alguma experiência com panelas de pressão. Adoro fazer uma feijoada🙂 Mas sempre usei panelas de pressão com fechamento simples. A tampa entra na panela de forma atravessada, alinha com a abertura da panela quase fechando-a, juntam-se os cabos da panela e da tampa e, por fim, une-se as tampas por meio de uma ‘argola’ de segurança.

Depois de mais uma mudança, garage sale e novas aquisições, eis uma nova panela. Desta vez uma panela mais moderna com um sistema de fechamento diferente – externo. Um design com objetivo de oferecer mais segurança e beleza e menos manutenção (www.magazineluiza.com.br).

O encaixe da tampa é feito por cima da panela. Não entra mais na panela. Este encaixe superior precisa coincidir com algumas saliências na borda da panela. São uns dentes em forma de abas onde a aba da tampa vai poder se segurar, agarrar na panela. Em seguida é preciso deslizar suavemente a tampa até que os cabos da panela e da tampa se encontrem. Quando isso ocorrer um “tec” vai finalizar o fechamento.

O primeiro encaixe deve ser preciso e justo, sem folgas. A tampa e as saliências precisam estar perfeitamente conectadas para permitir o deslize suave da tampa.

Assim que comprei a panela experimentei fechá-la algumas vezes. Um teste / treinamento para verificar o funcionamento e a facilidade de uso. Foi um sucesso. Uma experiência positiva. Aprovado sem questionamento. Mais seguro e mais sofisticado. “Compra perfeita”…

Alguns tempo depois era hora de fazer uma feijoada para lembrar do Brasil. No momento de fechar a panela uma nova experiência, mas desta vez frustrante.

Tudo começou com um confronto de forças entre eu e a tampa. O encaixe parecia bom. Mas a tampa não deslizava com suavidade. Comecei a forçar. Juntei os cabos da panela e da tampa. Mas o encaixe perfeito não aconteceu. Mas fui saber disso somente mais tarde quando metade do líquido da panela estava derramado no fogão e respingado pelas paredes (resultado da fresta que ficou entre panela e tampa).

Como aconteceu isso? Os motivos mais fortes são:

– Falta de atenção na hora de encaixar a tampa;
– Pressa;
– Fechamento da panela na metade do cozimento (com a panela quente 1) não era possível segurar as duas partes para encaixar a tampa com cuidado e de forma correta e 2) o calor impedia o encaixe justo da tampa para permitir o deslize suave).

Uma briga que rendeu uma “experiência negativa” de interação e uma cozinha bem suja.

Era a segunda vez que usava o produto e desta vez levei um baile. Primeiro, com”muita força”, achei que tivesse conseguido superar o processo de fechamento com vedação… (muita força??….).  Não precisava usar força! Não deveria usar força! Mas não dei muita atenção ao fato e continuei meus afazeres.

Mais tarde, quando era hora de checar o cozimento, e após despressurização da panela, comecei o processo de abertura. Desta vez eu não conseguia abrir. Verifiquei, olhando por baixo, que a tampa não havia encaixado direito. Entendi, neste momento, duas coisas:

– porque foi tão difícil fechar;
– porque havia vapor saindo pelas laterais e não pelo escape de pressão.

A força feita para fechar a tampa foi tamanha que não era mais possível abri-la. Cheguei a pensar que poderia existir ainda muita pressão na panela, apesar de não sair mais vapor pelo dispositivo de pressão.  Não estava entendendo o que estava acontecendo. Mas depois de usar muita força consegui abrir a panela. Fiquei pensando em quanta força tinha usado para fechar :-O

O feijão precisava cozinhar mais e eu teria que fechar a panela novamente. Desta vez com mais cuidado e tentando entender o processo correto de encaixe e giro. Novamente outro baile!

Dentro da panela existem duas marcações com informação sobre o mínimo e o máximo de conteúdo que pode ser colocado dentro da panela. Uma informação fácil de ser percebida pois é uma dica visual (gravada no próprio metal para evitar desgaste) constituída de um risco indicando o nível de líquido e uma palavra (minímo e máximo) representando os níveis de segurança.

Mas para a fechamento não existe nenhuma dica sobre quais pontos da panela e da tampa devem se conectar para permitir um encaixe perfeito e giro suave da tampa.

Depois de tentar muitas vezes, algumas até forçando a tampa novamente (desta vez consciente da interação – má interação), a tampa encaixou e deslizando suavemente permitiu seu fechamento completo e da forma correta.

Por que eu achei que usando muita força conseguiria fechar a panela? Eu acho que….

– O modelo de panela de pressão que eu conhecia e utiliza tinha uma trava para juntar e segurar os cabos da panela e da tampa. Era preciso usar alguma força, pequena é verdade, para juntar as tampas com a argola e permitir a vedação e pressão. Talvez eu tenha pensado: acho que uma forcinha pode ajudar…
– O produto é feito de ferro, aço ou alumínio duro, aparentemente muito resistente a pancadas e… pressão. Talvez eu tenha pensado: com uma força extra posso garantir o fechamento da tampa…
– A forte pressão dentro da panela só acontece se a tampa estiver presa na panela de forma muito segura para aguentar a força da pressão. Talvez eu tenha pensado: o material é resistente, não é delicado. Então preciso usar força para garantir a pressão…

O que significa tudo isso? Quando eu digo “Eu acho…” significa que eu estava resgatando na minha memória processos e conhecimento. São os modelos mentais adquiridos ao longo da minha vida que me ajudaram a tomar as decisões durante esta experiência – obviamente que não eram adequadas para aquela situação. O que aconteceu depois desta experiência? Criei um novo modelo mental (ou me conscientizei) sobre ser mais delicada com objetos fortes e resistentes. Ter mais paciência e estudar para entender antes de interagir. Não é por que é ou parece resistente que eu deva utilizar força. Peraí! E seu eu não tiver tempo? Assunto para outro post!

Conclusão: O nível de sucesso de uso de um produto dependerá do contexto da utilização, do estado de espírito do usuário, das suas emoções, da sua experiência e modelos mentais adquiridos ao longo da vida. O mesmo usuário pode ter ambos, uma interação prazerosa ou fazer os maiores absurdos com o mesmo produto em ocasiões diferentes. Pode ser o produto mais bem elaborado do mundo; seu uso pode variar de pessoa para pessoa, ou entre contextos para a mesma pessoa.

Depois desta experiência de insucesso dois aspectos de aprendizado se destacam: 1) A prática leva a perfeição. Quanto mais eu usar mais experiente vou ficar. 2) Uma experiência ruim ensina e ajuda no processo de retenção da informação (principalmente se existir continuidade no uso do mesmo produto). Minhas próximas interações com a panela de pressão serão mais conscientes e cuidadosas. Já sei o que não fazer. Já sei como fazer.

Quanto ao design do produto, entendo que poderia existir alguma informação na panela (gravada) para facilitar o encaixe da tampa. Não só para facilitar seu uso, mas também para diminuir o risco de um acidente. Uma seta ajudaria a identificar uma coincidência de encaixe da tampa e da panela. Uma mensagem como “Garanta que a tampa deslize suave até o fechamento” poderiam ter me alertado quanto ao uso da força, facilitado a minha vida e aumentado a qualidade da minha experiência com o produto.

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